
"Com efeito, o ensino oficial nos Montes Altos, apenas surge no ano de 1948, conforme veremos mais à frente.
Assim, do que apuramos, ficamos a saber que a «primeira escola» no Monte funcionou onde hoje se encontra a loja de Júlio Silva e funcionou por volta do ano de 1915.
Que a «professora» se chamava Maria das Neves, cujo marido era sapateiro, ambos naturais de Santana de Cambas.
Outra escola que sabemos ter existido foi a da tia Ana Pires, que funcionou na primeira casa de seus pais, que, chegados aos Montes Altos, vindos «daquele lado do rio». ficaram instalados numa casa fora do Monte, hoje uns pocilgos abandonados e que conhecemos como as Quartelhas.Ninguém se admire, pois, de as Quartelhas terem sido uma casa de habitação e escola.
Ainda no âmbito das escolas particulares, lembraremos a de Etelvina, irmã de Placetina, em cuja fotografia de grupo de alunos, podemos identificar antigas crianças, hoje quase todos avós e outros desaparecidos.
Para a história aqui vão os nomes:
Maria Raposo, Maria Martins Guarda, Joana Severa, Placetina, Maria Serafina, Maria Candeias, Epaminondas, Célia Sotero, José martins Guarda, António Afonso, José Pereira, José Godinho, José Luís, Manuel Batista, José dos Ramos, Severino Morais, António Teixeira, Ana Martins, Maria Teresa Pires, Vitorino Raposo, Alice e Teresa da Silva, António Candeias, José e António Beatriz, Maria Antónia e Eugénia da Graça, Francisco Costa e Francisca, Garcias, Augusta Pereira, Maria Rita Matias, André Boga, António Marques e Francisco Candeias.
Enquanto estas escolas iam ensinando as primeiras letras àqueles cujos pais não tinham condições para os mandar estudar para a aldeia de Santana de Cambas ou Mina de S. Domingos, outros, cujos pais tinham uma situação económica melhor, todos os dias se deslocavam para as escolas oficiais ou particulares dessas terras, onde o ensino era naturalmente melhor.
E assim foi até 1948, ano em que, com alguma pompa e circunstância, foi inaugurada a escola oficial dos Montes Altos.
As meninas vestiram-se de branco, e todos lavadinhos, se prepararam para a Festa, que meteu bolinhos feitos pela Senhora Balbina e onde se beberam uns pirolitos.
Estiveram presentes as entidades oficiais e religiosas, cabendo aqui referirque a festa se atrasou porque o Padre que vinha abençoar o evento se perdeu no caminho entre a Mina e o Monte, acabando o acto por se realizar com a habitual falta de pressa e muita calma que nos caracteriza.Lembra-se que o edificio escolar foi cedido pelo lavrador Manuel Zé, (edificio anexo ao ex-posto da guarda Fiscal, actualmente em ruínas), que o equipamento escolar, como carteiras, cadeiras.
etc foram adquiridos com o dinheiro proveniente de festas organizadas para esse fim.
Dinamizadores desta obra foram, entre outros, Pedro Esperan-ça Martins (cabo encarregado) e Dona Balbina Romana.
Quanto aos professores que passaram pelos Montes Altos, temos Ana Rodrigues Colaço (conhecida como Ana Sacho) que inaugurou as instalações.
Posteriormente por ali passaram Maria José Anacleto, Maria Esperança da Conceição, Maria Aurélia, Amália Maria Pereira, Isabel dos Anjos Marques, embora a memória nos lembre aquelas que ali permaneceram mais tempo, Alice Vaz Palma Isabel da Silva Carmo, a quem todos os que ensinaram ficaram com uma dívida de gratidão, não só pela instrução recebida, assim como pela intervenção social que desenvolveram junto do Poder e dos pais, nos tempos em que as dificuldades falavam mais alto e a liberdade um valor proibido.
Homenageando aqui as suas figuras, o autor pensa interpretar o sentir de todos os Montesaltenses.
Graças aos livros de matrícula existentes, conseguimos saber que durante o período em que funcionou a escola oficial nos Montes Altos, ano de 1948 até 1976, altura em que encerrou por falta de alunos, foram matriculados 275 alunos, sendo 155 do sexo masculino e 120 do sexo feminino.
A este número devemos juntar todos aqueles que frequentaram as escolas oficiais em Santana de Cambas ou Mina de S. Domingos, particulares nos Montes Altos, Escola para adultos etc.
Por curiosidade acrescente-se que, na escola oficial, os alunos com as inscrições número 1, foram Manuel Gomes Graça e Maria Júlia Sotero Rodrigues.
Quanto aos últimos alunos foram Manuel Domingos da Palma Teixeira e Henriqueta Maria Domingos Teixeira, irmãos, naturais da Moitinha.
Ainda que no primeiro ano lectivo 48/49, o número de alunos matriculados foi de 43, sendo 24 do sexo masculino e 19 do sexo feminino.
O ano de 1955, foi o que teve maior número de matriculados, sendo 19 rapazes, 28 raparigas e 20 adultos masculinos.
Outras curiosidades: Em 28 de Outubro de 1957, a professora Alice Vaz Palma informa que faltaram 27 alunos, atacados de febre asiática.
Em 30 de Outubro de 1957, informa que existem na escola 3 crianças descalças (rapazes).
Na última informação feita pela escola dos Montes altos, a professora Isabel da Silva Carmo, informa que não houve matriculas nos Montes Altos (2/7/1976).
Como se poderá ver, dado o estado degradado do edifício escolar inaugurado em 48, o Estado mandou construir uma escola nova, escola que encerrou em 76, tendo posteriormente sido cedida à população como Centro Social, aí funcionando actualmente o Centro Social dos Montes Altos.
(Fonte: Monografia dos Montes Altos de António Diogo Sotero)
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