António Correia
Joana Correia
Teodoro Carmona
- Isabel
- Manuel
- António
Biografia
Aos trinta dias do mês de Agosto do ano de mil oitocentos oitenta e seis, nesta Igreja Paroquial de Sant’Ana de Cambas, concelho de Mértola, diocese de Beja, baptizei solenemente e pus os Santos Óleos a um indivíduo do sexo feminino, a quem dei o nome de Thereza, e que nasceu no Monte do Sapo desta freguesia, às duas horas da noite do dia sete do mês de Março do ano corrente [7-III-1886], filha legítima, segunda do nome, e do primeiro matrimónio de ambos, de António Correia, seareiro, e de Joanna Correia, naturais, recebidos e paroquianos e moradores nesta freguesia; neta paterna de José Correia, seareiro, e de Romana Maria, natural desta freguesia; neta materna de Francisco da Cruz Madeira e de Thereza Correia, natural desta mesma freguesia.
Foi padrinho José Francisco Valadas Vieira, solteiro, farmacêutico, residente na Mina de São Domingos, e madrinha Alexandrina Antónia, solteira, moradora no Monte dos Sapos, supra. […] A madrinha não sabe escrever. O Pároco, Francisco Deus da Costa.
- A Guerra Civil e a repressão (1936–1939)
Deflagrada a sublevação a 18 de Julho de 1936, uma columna minera partiu para socorrer a Sevilha republicana, dando a volta por Valverde del Camino e La Palma del Condado; foi emboscada em La Pañoleta, às portas de Sevilha, a 19 de Julho, depois de a Guarda Civil do comandante Haro Lumbreras trair e passar-se aos rebeldes. A 27 de Julho caía La Palma; a 29 de Julho de 1936 caía a capital, Huelva, e um bando declarava o estado de guerra em toda a província.
A bacia mineira e a Serra resistiram como uma bolsa republicana isolada, encostada à fronteira portuguesa, até serem ocupadas por três colunas no final de Agosto de 1936, sob Queipo de Llano. Seguiu-se uma repressão feroz por bandos e conselhos de guerra: os estudos de referência apontam mais de seis mil — provavelmente mais de oito mil — assassinados na província. Os mecanismos que a história de Teresa Correia ilustra são exatamente os desta engrenagem: os «paseos» (o filho Manuel, morto em finais de Julho de 1936), os «huidos» para os montes (o filho António) e os conselhos de guerra que condenavam civis por «auxílio à rebelião» (a própria Teresa, em 1937).
-O franquismo e o desfecho (1939–1943)
O fim da guerra não trouxe pacificação, mas cadeias a abarrotar, penas longas e comutações graduais à medida que o regime consolidava a nova ordem. A pena de 20 anos imposta a Teresa Correia em 1937 foi comutada em 1943 para seis anos de prisão menor; libertada, optou por permanecer em Espanha — o destino de tantos que já não tinham para onde regressar. É neste ponto que a sua biografia individual reencontra a ficha do irmão José, matriculado no consulado em 1937: dois percursos da mesma família de Santana de Cambas apanhados na mesma engrenagem histórica.
O irmão José Correia matriculou-se no consulado em Valverde del Camino — a mesma vila da irmã — a 8 de Julho de 1937, obtendo certidão de idade e termo de identidade, no preciso momento em que os conselhos de guerra de Huelva condenavam portuguesas como Teresa Correia. (Jornal O Público de 19/07/2026 no artigo España en mi corazón do P2, evocando os 90 anos da Guerra Civil de Espanha (1936–1939), dedica um texto às portuguesas emigradas envolvidas na resistência republicana e vítimas da repressão franquista. Entre elas, retrata Teresa Correia natural de Santana de Cambas.

